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O que é o Espiritismo

 

Para quem não conhece eis uma boa oportunidade para conhecer a Doutrina Espírita...

 

Partindo do princípio que o objetivo de todo jornalística ético e sensato é o de informar bem, com coerência, honestidade, dignidade e imparcialidade, preocupando-se sempre com o indispensável conhecimento da causa que leva a reportar, venho apresentar-lhes uma contribuição em cima de um assunto que muitos profissionais do jornalismo, embora bem intencionados, terminam cometendo equívocos lamentáveis, por uma inexplicável ignorância que compromete os seus nomes bem como o dos veículos por onde vinculam as suas matérias ou reportagens.

 

Falo com respeito ao assunto Espiritismo, tema este que invariavelmente é visto apenas no campo religioso, o que na verdade não é, e sobretudo, o que é mais lamentável, sempre enfocado com afirmativas de conceitos absurdos, oriundos do 'achismo' e também de uma cultura criada na cabeça das pessoas, pela intolerância e a desonestidade religiosa.

 

Não objetivo aqui defender crença ou fé nenhuma, porque não é isto que está em questão. Só quero mesmo prestar contribuição ao gigantesco segmento honesto do jornalismo acerca de uma coisa, como ela realmente é, para que ele esteja melhor informado, sem a menor pretensão de querer fazer com que nenhum profissional o aceite, concorde com os seus postulados e, muito menos, se converta.

 

Vamos aos assuntos:

 

Espiritismo não é igreja.

 

Em princípio corrijam a conceituação inicial: Espiritismo não é simplesmente religião. Ele não veio ao mundo com objetivo nenhum de ser religião. Trata-se de uma doutrina filosófica, com base calcada na racionalidade, na lógica e na razão, apenas com conseqüências religiosas, haja vista que os seus adeptos ficam livres da submissão a qualquer religião, por não serem obrigados a coisa nenhuma e nem serem proibidos de nada. Há centros espíritas que se portam como se fossem igrejas, mas isto é produto da concepção equivocada dos seus dirigentes, que ainda sentem a necessidade da rezação, em que pese o Espiritismo ser algo muito acima disto.

 

Não existe 'Kardecismo', existe 'Espiritismo'.

 

O jornalista equivocado costuma utilizar-se da expressão 'kardecismo', para identificar algo que ele imagina ser uma 'ramificação' do Espiritismo, achando que Espiritismo é um 'montão de coisas' que existe por aí, quando na realidade não é. A palavra 'Espiritismo' foi criada, ou inventada, como queiram, pelo senhor Allan Kardec, exclusivamente, para denominar a doutrina nova que foi trazida ao mundo, por iniciativa de Espíritos, e que tem os seus postulados próprios. Portanto, qualquer crença ou prática religiosa que utiliza-se da denominação 'Espiritismo', fora desta que se enquadre nos seus postulados, está utilizando-se indevidamente de uma denominação, mergulhando no campo da fraude. Daí a verdade que o nome disto que vocês chamam de 'kardecismo', verdadeiramente é 'Espiritismo'.

 

Apenas para clarear o campo de conhecimento dos que ainda têm dúvidas, em achar que Candomblé, Cartomancia, Necromancia, Umbanda e outras práticas espiritualistas é Espiritismo, vai aqui uma pequena tabela, exemplificando algumas práticas de alguns segmentos, para apreciação daqueles que consideram relevante o uso da inteligência e do bom senso, a fim de um discernimento mais coerente e responsável.

 

 

 

Partes retiradas de :http://visao-espirita.blogspot.com/2010/01/o-que-e-o-espiritismo.html

 

          Correspondnete: Marcos Paterra

 


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 A DESILUSÃO DE QUEM SE ILUDIU

 

 

 

Li e nunca mais esqueci. Dessas sentenças filosóficas que carregamos no bolso para qualquer eventual emergência, dor ou lágrima. Voltando a Terra em outras reencarnações talvez ainda conserve comigo a frase. Aprendi com o jornalista espírita Henrique Rodrigues que, só se desilude, quem um dia se iludiu. Li isso em uma de suas crônicas e nunca mais me esqueci.

 

 O que acontece é que, muitas vezes, inúmeras, aliás, nós colocamos as pessoas em lugares, degraus, patamares que elas não pediram para estar e nem têm condições de ficarem, mas é preciso sempre lembrar, somos nós quem as colocamos lá. A gente é quem pensa que alguém seja isso ou aquilo, nós quem julgamos, rotulamos, classificamos, e com a mesma rapidez que elevamos a alguém, a rebaixamos. As pessoas são e serão quem são e não o que pensamos delas, sobre elas. São seres humanos com erros, acertos, qualidades, defeitos, imperfeiçoes, mas com possibilidades de crescimento, infinitas em si mesmas, ricas em essência. Mas eu menti lá em cima quando disse que nunca me esqueci, de fato, sempre lembro da frase, mas vez por outra alguém faz com que ela me salte ao olhos e bata no peito rasgando.

 

Quando penso que alguém poderia ser assim ou assado e a pessoa me demonstra que não está interessada em ser como eu penso que ela pudesse ser, aí me lembro que, a pessoa sempre foi ela mesmo, eu quem a coloquei num lugar onde ela jamais poderia ou quis estar, por isso eu me magoei com ela, não foi ela quem me magou, o que faz muita diferença. Eu quem esperava dela algo que ela nunca me prometeu, ofereceu, muitos menos me disse que iria me dá ou que tivesse condições de ostentar. Fui eu quem depositei nela minhas esperanças, meus sonhos, meus desejos, mas ela nunca me disse que seria do jeito que eu espava que fosse, pois cada um dá aquilo que tem, mas sempre esperamos mais das pessoas, queremos mais, desejamos mais, suspiramos por mais, quando esse mais somos nós quem almejamos, sem nunca pensar que talvez não seja possível de acontecer, e quase sempre nunca é.

 

Nessas horas me dá uma vontade de silenciar, ficar em silêncio, mudo pelo resto da vida. Mas aí vem a minha parte, preciso também me reconhecer com tal, não posso me cobrar a perfeição, a sabedoria, estar acima de mim mesmo e de outros, preciso entender que os erros, meus erros, fazem parte do meu processo de descoberta interior, de aprimoramente, de conhecimento de mim mesmo, das minhas reais possibilidades, daquilo que penso do mundo, das pessoas e de mim mesmo. Pois muitas vezes penso que sou, quando na verdade não tenho mesmo como ser, estou apenas caminhando e tentando, é quando também percedo que me iludi comigo mesmo e agora estou percebendo que sou como todos os outros, passível de erro, de cair, mas com reais e concretas condições de retomar a caminhar e buscar acertar. Sempre.

 

Ronaldo Magella 08/07/2010


O Valor de um Afeto.

 

Analisando os  últimos desastres naturais, eu notei varias coisas. Poderia dizer que  as  destruições ocasionadas pelos terremotos, furacões  e tsunamis, são  reflexo de nossos atos, o que não estaria errado.

Poderia também, comentar sobre as vidas que se foram, nessas tragédias, alegando vários motivos.

Porem... O que realmente me chamou a atenção foram os bombeiros agindo, salvando vidas.

Pessoas, ajudando de todas as formas, unindo-se  para vencer essa tragédia.

Países colaborando com alimentação e remédios, para tentar  amenizar a dor e o sofrimento dos sobreviventes.

Os custos dessa ajuda alem das despesas  regionais de cada local são absurdamente  altos.

Mas,  quanto custa a lagrima de uma criança órfã de  seus pais?

Qual o custo  para uma mãe, que perdeu a família toda  na tragédia?

É o mesmo valor, de uma criança abraçando seu pai no colo, ou  do sorriso de um avô ao ver o neto que veio lhe visitar... Não tem preço.

Essas pessoas, que sobreviveram, precisam inegavelmente da ajuda monetária, de alimentação, e remédios.

Precisam também de algo que o valor é inestimável... O afeto.

A solidariedade é um ato maravilhoso, mas quando é efetuado com afeto, se torna muito mais sublime.

“Sociedades espíritas fraternas só serão construídas por homens e mulheres mais dóceis e cordiais, mais confiantes e afáveis, mais amigos e amáveis. A criação dessas novas relações é garantia de uma aprendizagem mais sólida e bem aproveitada em nossas casas espirituais, facultando melhor assimilação dos conteúdos doutrinários e sua conseqüente aplicação no desenvolvimento de habilidades morais e emocionais, tão escassas na convivência entre as criaturas perante a pressão das lutas da vida terrena. Teremos assim, mais afeto, melhor ambiente e bem-estar para conviver e maior motivação para servir e aprender!”

( 'Laços de Afeto'/Ermance Dufaux - psicografia de Wanderley S. Oliveira)

Com afeto, não vamos saldar a perda dos entes queridos, mas podemos amenizar o sofrimento desses que estão com corações partidos pela  dor.

 

 

Pois é...

 

                  Marcos Paterra.

 

 

 


Os Invisíveis

 

 

 

 

A maioria das pessoas, quando visitam as casas espíritas, querem  por curiosidade conhecer os fenômenos  “paranormais”, querem dialogar com médiuns incorporados, receber psicografias, muitos querem inclusive se possível ver os espíritos.

Alguns saem revoltados por não ver o espírito,  alegando que ele estava “invisível”, essas pessoas mal sabem que antes de tentar ver os espíritos, deveriam ver outros seres “Invisíveis”.

E esses “invisíveis” são encarnados, e estão muitas vezes mais perto e dizendo coisas muito mais importantes, e não são notados.

Quantas  pessoas vão á padaria tomar um simples cafezinho, mas ao  perguntar a elas como era a pessoa que as serviu no balcão, elas não vão se lembrar.

Quando os freqüentadores vão á um centro, bebem água fluidificada que esta no copo, mas não notam quem colocou a água ali.

Sentam-se  em cadeiras limpas,  o chão esta  varrido, assistem á palestra, mas nem notaram que os “Invisíveis” estiveram ali, varrendo o chão, limpando a cadeira e colocando a água para fluidificar.

No dia a dia, poucos notam a presença dos “ “invisíveis”, locais como restaurante onde poucos lembram do garçom, ou da loja onde comprou a caneta, quem lembra do balconista?

Isso  gera outra questão, se  não se lembra das pessoas com que se relaciona no dia a dia, sugere também que não houve dialogo, o comprimento:  “Bom dia”, caso tenha dado, foi um gesto mecânico, uma simples frase de educação, não houve o real desejo que a pessoa tenha um BOM DIA!

 

Eu me pergunto; Como se pode querer ver espíritos, se não enxerga as pessoas a sua volta? Como se  pode querer falar, ou receber mensagens de espíritos, se não falam  com as pessoas a sua volta?

O espiritismo nos ensina  a conhecer a nós mesmos, conhecer  ao próximo, nos ensina a ter consciência de nossos atos, assim como usufruir do livre arbítrio.

Portando amigo leitor, o bom espírita, não é o que procura ver os espíritos invisíveis, e sim as pessoas que estão invisíveis ao redor.

Vamos dar mais atenção para  aqueles ao nosso redor, um “ “Bom Dia”, pode gerar alegria, uma  amizade, alem de  sensação de bem estar.

Desse modo, os espíritos invisíveis, que nos acompanham podem até se comunicar... Agradecendo.

 

Pois é...

 

 

                         Marcos Paterra

 

Devemos  ajudar a quem nos ajuda, a quem nos oferece a mão, e para aqueles que  nos desprezam devemos orar por eles e esperar que amadurecerem para se  concientizarem  que todos somos irmãos.
 
Auto Desconhecido

 

 

 

 

 


Marcos Paterra
 
Correspondente de Nosso Portal
 


O  Espiritismo suaviza a amargura

 

 

 

O Espiritismo suaviza a amargura das tristezas da vida; acalma os desesperos e as agitações da alma, dissipa as incertezas ou os terrores do futuro, elimina o pensamento de abreviar a vida pelo suicídio; da mesma forma torna felizes os que aderem a ele, e está aí o grande segredo de

sua rápida propagação.

Do ponto de vista religioso, o Espiritismo tem por base as verdades fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma, a imortalidade, as penas e as recompensas futuras; mas é independente de qualquer culto particular. Seu propósito é provar, aos que negam ou duvidam que a alma existe, que ela sobrevive ao corpo, que ela sofre depois da morte as conseqüências ao bem e do mal que fez durante a vida corpórea; ora, isto é de todas as religiões.

Como crença nos espíritos, também não se afasta de qualquer religião, ou de qualquer povo, porque em todo lugar onde há homens há almas ou espíritos; que as manifestações são de todos os tempos, e o relato delas acha-se em todas as religiões, sem exceção. Pode-se, portanto, ser católico, grego ou romano, protestante, judeu ou muçulmano, e acreditar nas manifestações dos espíritos, e conseqüentemente ser Espírita; a prova é que o Espiritismo tem aderentes em todas as seitas.

Como moral, ele é essencialmente cristão, porque a doutrina que ensina é tão-somente o desenvolvimento e a aplicação da do Cristo, a mais pura de todas, cuja superioridade não é contestada por ninguém, prova evidente de que é a lei de Deus; ora, a moral está a serviço de todo

mundo.

O Espiritismo, sendo independente de qualquer forma de culto, não prescrevendo nenhum deles, não se ocupando de dogmas particulares, não é uma religião especial, pois não tem nem seus padres

nem seus templos. Aos que indagam se fazem bem em seguir esta ou aquela prática, ele responde:

Se sua consciência pede para fazê-lo, faça-o; Deus sempre leva em conta a intenção. Em resumo, ele não se impõe a ninguém; não se destina àqueles que têm fé ou àqueles a quem essa fé basta, mas à numerosa categoria dos inseguros e dos incrédulos; ele não os tira da Igreja, visto que eles se separaram dela moralmente em tudo, ou em parte; ele os faz percorrer os três quartos do caminho para entrar nela; cabe a ela fazer o resto.

O Espiritismo combate é verdade, certas crenças como a eternidade das penas, o fogo material do inferno, a personalidade do diabo, etc.; mas não é certo que essas crenças, impostas como absolutas,

sempre fizeram incrédulos e continuam a fazê-los? Se o Espiritismo, dando desses dogmas e de alguns outros uma interpretação racional, devolve à fé aqueles que dela desertaram não está prestando serviço à religião? Assim, um venerável eclesiástico dizia a esse respeito: `O Espiritismo faz acreditar em alguma coisa; ora, é melhor acreditar em alguma coisa que não acreditar em absolutamente nada.`

 

Trecho retirado do livro: O Espiritismo em sua versão mais Simples de Allan Kardec.

 

 Marcos Paterra

                      


Solidariedade

 

Passei um dia por um Centro Espírita, e o vi distribuindo sopão... Na hora pensei:

- Que gesto bonito que ato de solidariedade.

 

Porem notei que as pessoas comiam a sopa e iam embora, outros traziam vasilhas e levavam para casa..

Em outros locais notei o mesmo com doação de cesta básica ou roupas, isso me pareceu um tanto errado, afinal estava-se dando o peixe, mas não ensinando a pescar.

Em algumas instituições, o CE faz uma palestra publica, no final distribui uma senha e fornece a sopa ou cesta básica, a quem tem a senha, bem... Ainda achei errado, estaria assim condicionando a assistir uma palestra que muitas vezes não condiz com a “religião” do  freqüentador, que na verdade só estava ali para ganhar seu alimento.

 

Estaria o Centro Espírita com essa metodologia, forçando  as pessoas  se tornarem freqüentadores em troca de benefícios, e ainda assim, não estavam ensinando a pescar.

Qual seria a saída então?

 

Nesse momento passei em frente á uma escola municipal, e vi as crianças   uniformizadas,  com seu material escolar entrando para assistir aula.

 

E ai eu vi a solução... Aulas, Seja como reforço escolar, ou de computação, seja de “Evangelização” sejam cursos de:  Sabão , doces, desenho, cerâmica, teatro; qualquer coisa que ajude na formação dos jovens e adultos.

 

E esses, se de manhã, teriam o café da manhã. Se é por volta da hora do almoço, teriam o “sopão,” se fosse a tarde um lanche, aos freqüentadores/alunos, devidamente cadastrados, poderiam receber cestas básicas, ou roupas...

 

E pergunto:  por que não?

O que falta para os Centros espíritas agirem dessa forma?

Eu respondo: Solidariedade entre nós mesmos!

Sim... Não formamos estrutura para poder executar esse tipo de beneficio, a maioria  dos trabalhadores, não quer perder tempo ensinando ou monitorando.

 

Consideram muitas vezes o ato de solidariedade, distribuir o sopão e ir embora, entregar as cestas básicas e voltar para a casa, sem se importar que em nada efetivamente ajudou o próximo... Matou a fome das pessoas momentaneamente, porem não as ensinou a como ganhar um sustento.

 

Faltou-lhe a real  solidariedade...A de ensinar ser solidário.

Pois é...

 

 

 

                                   Marcos Paterra

 

 


 
 
 Medicina e o espiritismo

 

   Medicina e o espiritismo

 

 

No Brasil, a relação entre religião e medicina, há décadas, vem sendo abordada

com uma certa freqüência na imprensa e em publicações específicas. Geralmente através da mídia chega-se de dois modos a imagem de práticas religiosas de cura: associadas às instituições religiosas ou a certos agentes populares de cura (benzedores, rezadores, videntes) que atuam, autonomamente, desvinculados de instituições e movimentos religiosos. Ambos são sempre reconhecidos pela medicina como curandeiros ou charlatões, passíveis de penalidades de acordo com o Código Penal Brasileiro. Quanto às publicações específicas é tradicional, entre as Ciências Sociais, o interesse pela temática dentro do campo religioso. Nesse contexto científico, as religiões brasileiras tornaram-se objeto de estudo, entre elas as religiões mediúnicas, que se caracterizam por um elemento comum: a manifestação do transe (candomblé, umbanda, pentecostais, espiritismo ).

As religiões afro-brasileiras são as que mais aparecem, seja pelo número de adeptos, popularidade ou influência na cultura nacional.É possível encontrar trabalhos científicos, que focalizam a clientela e a demanda de tratamento e cura religiosas, os quais têm valor importante na análise da constituição dessas religiões.

Foram identificados estudos sobre práticas religiosas que se desenvolvem no interior de hospitais psiquiátricos, em cujo espaço organizam-se terapêuticas religiosas aplicadas de maneira complementar ao tratamento tradicional da Psiquiatria. Mais  detalhadamente, o hospital espírita é um espaço relacional onde profissionais da saúde e espíritas convivem e atuam efetivamente desde os anos de 1950.

Desde o início, pareceu contraditória a existência desse tipo de hospital, uma vez conhecida de todos a secular relação antagônica entre a medicina e religião, que ocupa, em  conseqüência disso, campos de atuação distintos e autônomos. Por outro lado, mesmo diante da importância contingente dos hospitais psiquiátricos espíritas no Brasil não foi encontrada nenhuma referência a eles na literatura médica, antropológica, sociológica ou historiográfica, apesar de alguns trabalhos mencionarem timidamente tais instituições, inseridas no contexto assistencial da religião espírita. A existência de hospitais espíritas, mencionando-os como grupo de atividades extensivas aos centros espíritas e não fazem outra nota fora desse ambiente religioso, inseridos no contexto assistencial da religião espírita. Por outro lado, o espaço dos hospitais psiquiátricos dirigidos por espíritas aparece também como lugar em que os espíritas praticam a religião de base  reencarnacionista, que tem na prática da caridade e da mediunidade elementos importantes.

Levando-se em conta que o espiritismo traduz o espaço conjunto religioso e médico como um meio para legitimar os princípios religiosos, deve-se levar em conta que estas instituições sociais se constituem também em meios de assistência médica, imprescindível à própria prática médica e à assistência à saúde da população, enquanto prestadora de serviços médicos assistenciais, segundo a sua relação com a biomedicina e a política governamental de saúde.

.Importantes relações entre espiritismo e cultura letrada, levantando as características de uma `religião do livro`, peculiarmente às práticas de cultura letrada no transe mediúnico, cujo exemplo de privilégio à escrita nas comunicações psicografadas.

Discussões grupais na escola espírita, onde o conteúdo do sistema de crenças e

a cultura bibliográfica são atualizados pela participação efetiva dos adeptos na religião por meio de práticas vinculadas a uma socialização no mundo escolar e erudito da sociedade (citações, leitura, prece, oratória, doutrinação).

A obra de André Luiz (escritos psicografados por Francisco Candido Xavier) dentro da hipótese de que o Espiritismo constituiu-se de uma tradição da cultura escrita, funcionando como memória cultural do grupo. Essa perspectiva não poderia ser descartada uma vez que, para nós, esse corpus literário é a composição elementar do capital cultural do profissional da saúde, que carrega valores da crença espírita, além dos valores cognitivos incorporados pelas ciências médicas. O capital cultural está retratado na etnografia que fez, em que traduziu a leitura e a fala dos espíritos enquanto autoridade textual, formadora de uma unidade da oralidade. No entanto, o autor deixou de explorar, na obra de André Luiz, a parte que diz respeito às concepções das doenças em geral e das deficiências mentais em particular, fundamentais na estrutura simbólica em que se propõe o escritor mediúnico em comparação ao escritor não-mediúnico (por exemplo, o médico convertido ao espiritismo, Bezerra de Menezes), principalmente considerando-se a possibilidade da literatura espírita estender-se à publicação de autoria de médicos espíritas, atualmente autores de teses espíritas igualmente importantes para análise da cultura espírita.

Ressalta-se que, da crença na existência do espírito e do perispírito, lançada na base da doutrina de Allan Kardec, será com o médico Bezerra de Menezes, convertido ao espiritismo, que se inculca socialmente a crença na possibilidade de realização do projeto terapêutico espírita. Essa expectativa social, que segue paralelamente à prática religiosa do espiritismo religioso de Allan Kardec na base do exercício da mediunidade caritativa, juntamente com o espiritismo científico de MENEZES (1988), que estrutura as condições sociais de diagnosticar a doença mental sem lesão cerebral, reclama as posições sociais ainda não assumidas inteiramente por profissionais da saúde praticantes do espiritismo, dentro de espaços médicos no país. Nesse contexto, emergem na concorrência do projeto médico-espírita o sistema simbólico organizado pelo médium XAVIER (1959) pela escrita do espírito André Luiz. Médico desencarnado, André Luiz relaciona prática mediúnica com prática médica, cristalizando o poder simbólico no termo médico-espírita e a possibilidade da prática médico-espírita se realizar no espaço médico no país. Essa forma de poder transfigurado foi legitimado pelos sistemas conceituais anteriores de crenças consolidada no perispírito.

Nas relações com a medicina, o espiritismo busca reconhecimentos legais das práticas terapêuticas para lhes garantir, ao mesmo tempo, a perpetuação de sua estrutura cientificista que a religião, no seu interior, têm como fundamento, que mais servem de estratégia da religião para competitividade no campo religioso. É dessa maneira que se procura distinguir, de modo legítimo, das demais práticas de cura associadas a benzedores, rezadores e outros agentes de cura na sociedade (curandeiros ou charlatães).

Conseqüentemente, diferencia-se dos sistemas terapêuticos de outras religiões, garantindo igualmente a concorrência simbólica no mercado de bens de salvação no interior do campo religioso

 

                                              Marcos Paterra

 

 




Polêmica espírita

 

REVISTA ESPÍRITA

Jornal de Estudos Psicológicos

Publicada sob a direção de Allan Kardec

 

novembro de 1858

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Várias vezes perguntaram- nos por que não respondemos, em nosso jornal, aos ataques de certas folhas dirigidos contra o Espiritismo em geral, contra seus partidários, e, algumas vezes mesmo, contra nós. Cremos que, em certos casos, o silêncio é a melhor resposta. Aliás, há um gênero de polêmica do qual fizemos uma lei nos abstermos, e é aquela que pode degenerar em personalismo; não somente ela nos repugna, mas nos toma um tempo que podemos empregar mais utilmente, e seria muito mais interessante para nossos leitores, que assinam para se instruírem, e não para ouvirem diatribes, mais ou menos espirituais; ora, uma vez iniciados nesse caminho, seria difícil dele sair, por isso preferimos não entrar e pensamos que o Espiritismo, com isso, não pode senão ganhar em dignidade. Não temos, até o presente, senão que nos aplaudir por nossa moderação; dela não nos desviaremos, e não daremos jamais satisfação aos amadores de escândalo.

 

Mas, há polêmica e polêmica; e há uma diante da qual não recuaremos jamais, que é a discussão séria dos princípios que professamos. Entretanto, aqui mesmo há uma distinção a fazer; se não se trata senão de ataques gerais, dirigidos contra a Doutrina, sem outro fim determinado que o de criticar, e da parte de pessoas que têm um propósito de rejeitar tudo o que não compreendem, isso não merece que deles se ocupe; o terreno que o Espiritismo ganha, cada dia, é uma resposta suficientemente peremptória, e que deve provar-lhes que seus sarcasmos não produziram grande efeito; também notamos que a seqüência ininterrupta de gracejos, dos quais os partidários da Doutrina eram objeto recentemente, se apaga pouco a pouco; pergunta-se, quando se vêem tantas pessoas eminentes adotarem essas idéias novas, se há do que se rir; alguns não riem senão com desprezo e por hábito, muitos outros não riem mais de tudo e esperam.

 

Notamos ainda que, entre os críticos, há muitas pessoas que falam sem conhecer a coisa, sem terem se dado ao trabalho de aprofundá-la; para responder-lhes seria preciso, sem cessar, recomeçar as explicações mais elementares, e repetir o que escrevemos, coisa que cremos inútil. Não ocorre o mesmo com aqueles que estudaram, e que não compreenderam tudo, aqueles que querem seriamente se esclarecer, que levantam as objeções com conhecimento de causa e de boa fé; sobre esse terreno aceitamos a controvérsia, sem nos gabar de resolvermos todas as dificuldades, o que seria muita presunção. A ciência espírita está no seu início, e ainda não nos disse todos os seus segredos, por maravilhas que nos haja revelado. Qual é a ciência que não tem ainda fatos misteriosos e inexplicados? Confessaremos, pois, sem nos envergonharmos, nossa insuficiência sobre todos os pontos aos quais não nos for possível responder. Assim, longe de repelir as objeções e as perguntas, nós as solicitamos, contanto que não sejam ociosas e nos façam perder nosso tempo em futilidades, porque é um meio de se esclarecer.

 

Aí está o que chamamos uma polêmica útil, e o será sempre quando ocorrer entre duas pessoas sérias, que se respeitarem bastante para não se afastarem das conveniências. Pode-se pensar diferentemente, e, com isso, não se estimar menos. Que procuramos nós todos, em definitivo, nessa questão tão palpitante e tão fecunda do Espiritismo? Esclarecer-nos; nós, primeiramente, procuramos a luz, de qualquer parte que ela venha, e, se emitimos a nossa maneira de ver, isso não é senão uma opinião individual que não pretendemos impor a ninguém; nós a entregamos à discussão, e estamos prontos para renunciá-la, se nos for demonstrado que estamos em erro. Essa polêmica, nós a fazemos todos os dias em nossa Revista, pelas respostas ou refutações coletivas que tivemos ocasião de fazer a propósito de tal ou tal artigo, e aqueles que nos dão a honra de nos escreverem, ali encontram sempre a resposta ao que nos perguntam, quando não nos é possível dá-la individualmente por escrito, o que o tempo material nem sempre nos permite. Suas perguntas e suas objeções são igualmente assuntos de estudos, que aproveitamos para nós mesmos, e os quais ficamos felizes em fazer nossos leitores aproveitarem, tratando-os à medida que as circunstâncias trazem os fatos que possam ter relação com eles. Igualmente nos alegramos em dar verbalmente explicações que podem nos ser pedidas pelas pessoas que nos honram com a sua visita, e nessas conferências, marcadas por uma benevolência recíproca, nos esclarecemos mutuamente.

 

* * *

 

 

 

 

Marcos Paterra

João Pessoa/PB

Brasil


Pedofilia na visão espírita - Dr. Ricardo Di Bernardi

 

 

Assunto delicado e grave. Vejamos alguns aspectos iniciais:

 

Como o espiritismo vê a questão da pedofilia?

Como um grave desequilíbrio mental e espiritual, necessitando severo tratamento multidisciplinar, isto é envolvendo diversos profissionais além de tratamento espiritual complementar.

 

- Qual a razão de existirem pedófilos?

A mesma razão de existirem quaisquer outros desequilíbrios

psíquicos. São atitudes doentias que se estruturaram ao longo de

uma ou mais existências ou seja reencarnações. Ninguém foi

criado pedófilo.

 

- O que se passa nas suas mentes?

Cada um deles tem uma história. Não há como colocar todos em um mesmo rótulo. Mas poder-se-ia dizer que tem um impulso sexual doente e destituído de ética.

 

- Quais os traumas que eles têm?

Diversos, e variam conforme cada caso. Podem ter sofrido: violência infantil, abandono, desprezo, presenciado quando em tenra idade, sexo entre os pais, enfim outras distorções de educação ou de vivência.

 

- Como se explica tal comportamento?

A resposta é tão difícil como explicar qualquer outra grave

alteração de comportamento. São espíritos que pelo seu atraso,

imaturidade, ignorância e sobretudo pelo livre arbítrio

desviaram-se da linha normal de conduta.

 

- E as vitimas, por quê isso?

Em diversas oportunidades, quando fizemos palestra sobre

reencarnação, fomos questionados posteriormente sobre a dolorosa e delicada circunstância da PEDOFILIA. Principalmente, ao se propiciar perguntas nos serem dirigidas por escrito viabilizava- se este questionamento.

 

Embora o tema seja potencialmente polêmico e desagradável, não há como ignorá-lo no contexto de nossa situação planetária.

Nossa abordagem será pelo ângulo transcendental e reencarnacionista considerando que são dois (2) espíritos, no

mínimo, envolvidos na tragédia em questão. Cumpre-nos esclarecer que o livre arbítrio é o maior patrimônio que nós, espíritos humanos, temos alcançado ao atingirmos a faixa evolutiva pensante. Livre arbítrio que não legitima atitudes, mas oportuniza às criaturas decidir e se responsabilizar pelas conseqüências de seus atos posteriores.

 

Outra premissa que deveremos estabelecer é aquela da maior ou menor repercussão dos atos perante a Lei Universal, em função do nível de esclarecimento que possuímos. Importante também

salientar que não há atos perversos que tenham sido planejados

pela espiritualidade superior. Seria de uma miopia intelectual sem

limites, a idéia de que alguém deve reencarnar a fim de ser violentado ou sofre pedofilia.

 

A concepção do Deus punitivo e vingativo já não cabe mais no

dicionário dos esclarecidos sobre a vida espiritual. Deus é a

fonte inesgotável de amor.

 

É a Lei maior que a tudo preside, uma lei de amor que coordena as leis da natureza. Então, como conceber a violência física? Como enquadrar a onipresença divina em situações e sofrimentos que observamos? Deus estaria ausente nestas circunstâncias? Ou estaria presente? Para muitos indivíduos se estivesse presente já seria motivo para não crer na sua existência ou na sua infinita bondade e onisciência.

 

Outra questão importante: Quem é a 'vítima'? Analisemos. Cada

um de nós ao reencarnar trouxe todo o seu passado impresso

indelevelmente em si mesmo, são os núcleos energéticos que

trazemos em nosso inconsciente construídos no passado.

Espíritos que somos e pelas inúmeras viagens que percorremos,

representadas pelas inúmeras vidas, possuímos no nosso

'passaporte' inúmeros 'carimbos' das pousadas onde estagiamos em vidas anteriores. Hoje, a somatória dessas experiências se traduzem em manancial energético que irradia constantemente do nosso interior para a superfície desta vida.

Assim, é também a 'vítima'. A criança, que hoje se apresenta

de forma diferente, traz em seu passado profunda marcas de atitudes prejudiciais a irmãos seus. Atitudes de desequilíbrio que são gravadas em si mesma.

 

Algumas dessas, hoje crianças, participaram intelectualmente de

verdadeiras emboscadas visando atingir de maneira dolorosa a intimidade sexual de criaturas; outras foram executoras diretas, pela autoridade que eram investidas, de crimes nesta área. Enfim, são múltiplas as situações geradoras da desarmonia energética que agora pulsa constantemente nos arquivos vibratórios da criança, nossa personagem neste drama.

 

Pela Lei Universal da sintonia de vibrações, poderá ocorrer, em um dado momento, uma surpresa desagradável. O espírito, criança agora, poderá atrair e sintonizar com a frequencia do agressor, ou seja, o pedófilo e ser agredida.

 

Identificados dois dos protagonistas (agressor e criança), temos

também que considerar o frequente processo obsessivo que vinha se desenvolvendo. Uma outra entidade pode estar fixa perifericamente ou até profundamente à trama perispiritual de um ou dos dois envolvidos no processo.

 

Lembramos, novamente, não foi em hipótese alguma programada a violència ou o estupro, nem ele em qualquer circunstância teria justificativa. No entanto, o crime existindo, necessário compreender em uma visão mais ampla o que está acontecendo. A espiritualidade sempre fará o máximo para evitar o 'mal' ou não sendo possível, apoiar aos que sofrem.

 

O espírito submetido à violência da pedofilia sofre

intensamente no processo, conforme o seu grau de maturidade espiritual.

 

Não houve a programação, mas a tendencia que trazia era forte e havia o risco em passar por algo do gênero , que, a espiritualidade não conseguiu evitar. Perante a Lei divina sabemos que o espírito reencarnado não deve receber a agressão arbitrária em face da violência cometida por outro. Violência que gera violência, um ciclo triste que necessita ser rompido com uma postura de amor, de orientação e de perdão.

 

A violência da pedofilia gera, muitas vezes, profundos traumas em todos os envolvidos exacerbando a dolorosa situação cármica da constelação familiar.

 

Há, também, espíritos afins e benfeitores que, visam amparar os

envolvidos nesta dor. Amigos do extrafísico cheios de ternura em seu coração, com projetos de dedicação e amparo, sempre se fazem presentes.

 

O tempo se encarregará de cicatrizar os ferimentos da alma.

 

Toda quarta-feira pelas 20h15, no horário de Brasília, o Dr.

Ricardo do Bernardi responde ao Vivo a várias perguntas sobre os mais variados temas actuais: Para isso basta acessar www.redevisao. net . MEDICINA e ESPIRITUALIDADE <http://medicinaespi ritual.blogspot. com

 

                Marcos Paterra


 
 
Tenho notado que o ser humano, com toda sua evolução e sua inteligência que o destaca no reino animal, ainda deixa a desejar em muitos aspectos, principalmente no quesito “respeito”.

E sem o respeito ao próximo, causa o chamado efeito dominó, pois sem o respeito, a fraternidade, a solidariedade, e mesmo as amizades, tornam-se apenas atos simbólicos, em sua maioria das vezes com motivos egoístas de se auto-promover.


Vejo principalmente o desrespeito ao idoso, onde tons irônicos, descaso, e mesmo falta de solidariedade são evidentes.

Muitos esquecem que os idosos possuem muita sabedoria acumuladas na vivência diária, e nos ensinamentos que a vida lhes proporciona. Em todos os dias que passam, em cada semana, a cada mês e a cada ano, a experiência aumenta com a mesma intensidade que aumentam seus cabelos brancos. A cada fio branco que surge é mais uma lição adquirida. O ser humano envelhece apesar do instinto de conservação, mas o espírito continua jovem.

Muitos filhos e parentes abandonam seus idosos em asilos de mendicidade, creches e sanatórios.
Claro... Existem casos e casos, onde muitas vezes doenças, e problemas físicos ou mentais, tornam o cuidado da família obsoleto, e existe a real necessidade de internação... Mas... Onde esta o respeito?


Não devemos abandonar nossos idosos a própria sorte; Visitar, dar um abraço, uma palavra de carinho, muitas vezes renova por completo o animo e conquista um belo sorriso desses que por vezes se sentem abandonados.

“[...]a maturidade onde se pressupõe o equilíbrio físico e emocional no vigor e a energia que esplendem. O Espírito se exteriorizaria aí em toda solidez, firmeza, precisão e desenvolvimento.


A segurança, a justeza, a reflexão dão real colorido as propostas e decisões 'Se realmente a idade madura é menos primaveril que a adolescência; se as flores decaíram do seu colorido e perfume, os frutos igualando-se aos frutos de uma árvore começam a aparecer na extremidade da alma pois é a idade madura, por excelência, o período da plenitude; é o rio que corre a toda força e espalha pela campina a riqueza e a fecundidade'. ( Léon Denis O Grande Enigma, XV )


'(...) É justo que os filhos cooperem com os pais, embora saibamos que os mais jovens de hoje serão os mais velhos de amanhã tanto quanto os maduros de agora, desempenharão, muito em breve o papel de jovens no futuro. Tudo é seqüência na Lei'. (Emmanuel - Reformador julho/76 - 22/4/51)

No entendimento espírita não há lugar para que uma idade seja mais importante que outra, não havendo assim desajustamentos e conflitos.


Espiritismo e Ciência

José Reis Chaves

 

 

O Espiritismo é ciência, e é a religião mais sintonizada com a Bíblia. Galileu provou que a Terra gira em derredor do Sol (Sistema Heliocêntrico), por isso foi excomungado. E só agora, recentemente, 300 anos depois, foi absolvido pela Igreja..

O padre Quevedo, um teólogo transvestido de parapsicólogo, tem muitos seguidores padres e pastores, cujos fiéis, encabrestados mentalmente, são doutrinados contra a reencarnação e a mediunidade, verdades bíblicas em estudo, hoje, nas grandes universidades. Ele explica tudo pelo inconsciente, como se isso, cientificamente, fosse possível. Daí a incompatibilidade entre a sua parapsicologia teológico-dogmático-medieval-escolástica e a verdadeiramente científica de J. Rhine. Já Kardec diferenciava muito espiritismo (exógeno) de animismo (endógeno). Quevedo finge ignorar isso, e afirmou que os seus livros de parapsicologia são os melhores do mundo, baboseiras essas que vêm provocando risos entre os parapsicólogos. Aliás, de há muito, os seus livros estão encalhados. E vejam-se em alguns sites do Rio, Brasília, S. Paulo etc., entre eles: www.geocities.com/Jeffersonhpbr, as suas provocações e insultos em carta a este colunista, ao descobrir ele o seu livro 'A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência'. Mas os espíritas, em grande parte universitários e intelectuais, são vacinados contra o 'jogo de palavras' e a 'ficção científica' de Quevedo e seus sectários contra o Espiritismo.

Ademais, os espíritas se fundamentam na Bíblia, e contam com o aval granítico de sábios de escol, como: Dr. Brian L.Weiss ('Muitas Vidas - Muitos Mestres'); Dr. Hernani Guimarães Andrade (fundador e dirigente do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas); Alexander Cannon ('The Power Within'); Bannerjee (parapsicólogo da Universidade de Nova Delhi); Thorwald Dethlefsen (Univ. de Munique); Dra. Helen Wanbach ('Recordando Vidas Passadas'); Dr.Joel L. Whitten (Univ. de Toronto); Dr. Bruce Goldberg (Univ. de Baltimore); Dr. Morris Netherton (conferencista internacional americano da TVP); Pastor Neemias Marien (Rio); Dom Aldo Pagotto (Sobral, CE); Cardeal Mercier (Bélgica); Vasiliev (Rússia); o doutor em Teologia e ex-padre Pastorino ('Minutos de Sabedoria'); Dr. Ian Stevenson (Univ. de Virgínia, com uma obra monumental reencarnacionista, de 2300 páginas); Pastor Joel Goldsmith (USA); Roger J. Woolger ('As Várias Moradas da Alma'); Dr. Estanislau Grof ('A Mente Holotrópica'); Dr. Ken Wilber ('O Espectro da Consciência'); e C. G. Jung ('Memórias, Sonhos e Reflexões').

Será que os teólogos 'dogmálatras' vão fazer com Kardec o que fizeram com Galileu? Se assim for, só daqui, ainda, a uns 150 anos, é que vão aceitar, oficialmente, as verdades espíritas científicas e bíblicas, que o mundo já aceitou, há 150 anos!

Autor de 'Quando Chega a Verdade', Ed.Martin Claret, entre outros livros. E-mail: escritorchaves@ig.com.br

 

 

Correspondente: Marcos Paterra


O PERISPÍRITO

 

Você sabe o que é perispírito? Bem... Vou tentar de maneira clara e linguagem simples,  explicar, para que juntos tenhamos o conhecimento.

O conceito de perispírito surgiu com Kardec, quando analisou os fenômenos ditos espiríticos e, com a pobreza de conhecimentos científicos da sua época, usou os termos técnicos empregados àquele tempo para tentar definir o que  os espíritos lhe informavam.

Vamos encontrar, primeiramente, em 'O Livro dos Médiuns' os seguintes conceitos e considerações
Item 3 – cap. I – 1ª parte: diz Kardec que, além do corpo (ou envoltório material) o Espírito encarnado tem um segundo envoltório semi-material que o une ao primeiro.
Diz ainda que o perispírito constitui para o Espírito um envoltório fluídico vaporoso, mas que apesar de ser invisível a nossos olhos, não deixa de possuir certas propriedades ditas materiais.
Destaque-se, portanto, a idéia de que o perispírito seja considerado 'semi-material' além de se tratar de envoltório.

No item 50 – cap. IV – 1ª parte, a afirmativa nos leva a admitir que o perispírito se torna um componente da alma (Espírito encarnado) e juntos formam um todo.
Na 2ª parte, ainda vamos encontrar no item 54 – cap. I – a informação de que o perispírito é o intermediário de todas as sensações que o Espírito transmite sobre o corpo.
Ainda no item 75 – cap. IV – desta segunda parte, o perispírito é definido como um 'fluido condensado' e que se prende ao corpo quando encarnado, mas pertence ao Espírito quando liberto.

A Ciência paranormal da atualidade dá o nome ao perispírito de psicossoma, (do grego: psikê – alma + soma – corpo) altamente coerente com as considerações de Kardec e seus estudos que envolvem uma pesquisa profunda a respeito da sua existência.
Às primeiras descobertas relativas ao perispírito  foram em 1945, pelos italianos financiados pelos nazistas ao descobrirem que a mulher, mesmo que já tivesse engravidado anteriormente, só se tornava fértil se viesse a apresentar um campo bio-magnético em seu ventre que comandasse o processo desde a fecundação até a formação final do feto. Eles imaginaram que seriam capazes de criar um campo artificial idêntico em proveta, com isso, dominariam a criação de seres por processos científicos sem necessidade materna.
Teve, assim, a origem de todo o estudo que, atualmente, tem outra concepção inteiramente diversa daquela que o eixo nazista adotara em seu materialismo.
Pesquisas mais modernas comprovam que a formação fetal depende, sem dúvida, de um campo energético estranho à mãe e que atua em seu ventre para estruturar o feto que virá a ser gerado. Tácito e indiscutível. Caso contrário não haverá fecundação porque este campo comanda até a seleção do espermatozóide que deva fecundar o óvulo.
Todas essas pesquisas são feitas com aparelhos espectrográficos específicos que não deixam dúvidas relativas a seus registros e que, como tal, não podem ser desmentidos por hipóteses específicas de opiniões individuais.

Os russos, ainda na era comunista, também se dedicaram à pesquisa do perispírito por eles conhecido como 'psicossoma' – corpo psíquico – e que, como tal, nada teria que ver com os conceitos religiosos que definem o Espírito como 'sopro divino'.

Kardec informa em 'O Livro dos Médiuns' e na Seleta de artigos da Revue Spirite, vamos chegar às seguintes conclusões obtidas pela verificação feita em laboratório com uso de aparelhos espectrográficos capazes de detectar o aludido 'campo de vida':
1 – O perispírito é elaborado pelo Espírito segundo suas necessidades junto ao mundo cósmico em que vá viver;

2 – É um campo quântico de natureza psíquica capaz de estruturar células orgânicas e formar corpos somáticos;

3 – Em decorrência da propriedade anterior, ele detém a condição de transmitir ao corpo dito somático as suas necessidades orgânicas decorrentes da vida que deva ter;

4 – Como tal, comparando ao campo de uma fita de gravador, ele pode interferir diretamente no corpo somático modulando-o para que ele se estruture segundo suas necessidades encarnatórias.

5 – No sentido inverso, ele pode gravar tudo o que o encarnante faça durante sua vida terrena, sendo o arquivo temporário das suas reações; dessa forma, nossas atitudes presentes podem se refletir nas vidas futuras e o 'assim como fizeres, assim acharás' terá plena justificativa, lembrando que, como numa pilha elétrica, toda energia que se emana de um pólo volta para o outro, fechando o circuito; caso contrário, ela não circula pelo mesmo.

6 – Sendo transitório, como todo e qualquer campo, decorrente da ação indutora do agente, ele não poderá ser o registro de nossos atos, ou seja, a 'memória inconsciente' freudiana, arquivo de todos os nossos atos passados, mas servirá de elo entre nossa vida encarnada e os demais campos e sistemas integrados do Espírito.

7 – Do mesmo modo que um campo de um condutor elétrico se modifica de acordo com a corrente que passe por ele, também o perispírito será modulado pela índole ou variação de sentimentos do Espírito, motivo pelo qual este necessita de um ambiente compatível com a sua evolução para nele se encarnar, a fim de que seu perispírito possa atuar nas energias materiais do mesmo.
O que se pode advir é que tudo isso foi comentado por Kardec sem que, à sua época se tivesse noção ou o conhecimento atual correlato com um campo energético e principalmente, de natureza psíquica.

 

Pois é...

 

Marcos Paterra




 

 

 

 

 


Mediunidade no tempo de Jesus

Paulo da Silva Neto Sobrinho

 

“Se alguém julga ser profeta ou inspirado pelo Espírito, reconheça um

mandamento do Senhor nas coisas que estou escrevendo para vocês” (PAULO, aos coríntios).

 

 

A mediunidade é uma faculdade humana que consiste na sintonia espiritual entre dois seres. Normalmente, a usamos para designar a influência de um Espírito desencarnado sobre um encarnado, entretanto, julgamos que, acima de tudo, por se tratar de uma aquisição do Espírito imortal, pouco importa a situação em que se encontram esses dois seres, para que se processe a ligação espiritual entre eles.

É comum que ataques ao Espiritismo ocorram por conta desse “dom”, como se ele viesse a acontecer exclusivamente em nosso meio. Ledo engano, pois, conforme já o dissemos, é uma faculdade humana, e assim sendo, todos a possuem, variando apenas quanto ao seu grau.

Os detratores querem, por todos os meios, fazer com que as pessoas acreditem que isso é coisa nova, mas podemos provar que a mediunidade não é coisa nova e que até mesmo Jesus dela pode nos dar notícias. É o que veremos a seguir.

A mediunidade e Jesus

Quando Jesus recomenda a seus doze discípulos a divulgação de que o “reino do Céu está próximo” fica evidenciado, aos que estudaram ou vivenciam esse fenômeno, que o Mestre estava falando mesmo era da faculdade mediúnica. Entretanto, por conta dos tradutores ou dos teólogos, essa realidade ficou comprometida no texto bíblico. Entretanto, como é impossível “tapar o sol com uma peneira”, podemos perfeitamente identificá-la, apesar de todo o esforço para escondê-la.

O evangelista Mateus narra o seguinte:

“Eis que eu envio vocês como ovelhas no meio de lobos. Portanto, sejam prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Tenham cuidado com os homens, porque eles entregarão vocês aos tribunais e açoitarão vocês nas sinagogas deles. Vocês vão ser levados diante de governadores e reis, por minha causa, a fim de serem testemunhas para eles e para as nações. Quando entregarem vocês, não fiquem preocupados como ou com aquilo que vocês vão falar, porque, nessa hora, será sugerido a vocês o que vocês devem dizer. Com efeito, não serão vocês que irão falar, e sim o Espírito do Pai de vocês é quem falará através de vocês”. (10,16-20).

A primeira observação que faremos é que por ter tentado a Eva, dizem que a serpente seria o próprio satanás, entretanto, isso fica estranho, porquanto o próprio Jesus nos recomenda sermos prudentes como as serpentes. Esse fato demonstra que tal associação é apenas fruto do dogmatismo que só produz o fanatismo religioso.

Essa fala de Jesus é inequívoca quanto ao fenômeno mediúnico: “não fiquem preocupados como ou com aquilo que vocês vão falar, porque, nessa hora, será sugerido a vocês”, e arremata: “Com efeito, não serão vocês que irão falar, e sim o Espírito do Pai de vocês é quem falará através de vocês”. A tentativa de esconder o fenômeno fica por conta da expressão “o Espírito do Pai”, quando a realidade é “um Espírito do Pai” a mudança do artigo indefinido para o artigo definido tem como objetivo principal desvirtuar a fenomenologia em primeiro plano e em segundo, mais um ajuste de texto bíblico para apoiar a trindade divina copiada dos povos pagãos.

O filósofo e teólogo Carlos Torres Pastorino abordando a questão da mudança do artigo, diz:

“...Novamente sem artigo. Repisamos: a língua grega não possuía artigos indefinidos. Quando a palavra era determinada, empregava-se o artigo definido ‘ho, he, to’. Quando era indeterminada (caso em que nós empregamos o artigo indefinido), o grego deixava a palavra sem artigo. Então quando não aparece em grego o artigo, temos que colocar, em português, o artigo indefinido: UM espírito santo, e nunca traduzir com o definido: O espírito santo”. (Sabedoria do Evangelho, volume 1, pág 43).

Se sustentarmos a expressão “o Espírito do Pai” teremos forçosamente que admitir que o próprio Deus venha a se manifestar num ser humano. Pensamento absurdo como esse só pode ser pela falta de compreensão da grandeza de Deus. Dizem os cientistas que no cosmo há 100 bilhões de galáxias, cada uma delas com cerca de 100 bilhões de estrelas, fazendo do Universo uma coisa fora do alcance de nossa limitada imaginação, mas, mesmo que a custa de um grande esforço, vamos imaginar tamanha grandeza. Bom, façamos agora a pergunta: o que criou tudo isso? Diante disso, admitir que esse ser possa estar pessoalmente inspirando uma pessoa é fora de proposto, coisa aceitável a de povos primitivos, cujos conhecimentos não lhes permitem ir mais longe, por restrição imposta pelo seu hábitat.

A mediunidade no apostolado

Um fato, que reputamos como de inquestionável ocorrência da mediunidade, aconteceu logo depois da morte de Jesus, quando os discípulos reunidos receberam “como que línguas de fogo” e começaram a falar em línguas, de tal sorte que, apesar da heterogeneidade do povo que os ouvia, cada um entendia o que falavam em sua própria língua. Fato extraordinário registrado no livro Atos dos Apóstolos, desta forma:

“Quando chegou o dia de Pentecostes, todos eles estavam reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como o sopro de um forte vendaval, e encheu a casa onde eles se encontravam. Apareceram então umas como línguas de fogo, que se espalharam e foram pousar sobre cada um deles. Todos ficaram repletos do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. Acontece que em Jerusalém moravam judeus devotos de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, todos se reuniram e ficaram confusos, pois cada um ouvia, na sua própria língua, os discípulos falarem”. (Atos 2, 1-6).

Aqui podemos identificar o fenômeno mediúnico conhecido como xenoglossia, que na definição do Aurélio é: A fala espontânea em língua(s) que não fora(m) previamente aprendida(s). Mas, como da vez anterior, tentam mudar o sentido, para isso alteram o artigo indefinido para o definido, quando a realidade seria exatamente que estavam “repletos de um Espírito santo (bom)”.

Fato semelhante aconteceu, um pouco mais tarde, nomeado como o Pentecostes dos pagãos:

“Pedro ainda estava falando, quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a Palavra. Os fiéis de origem judaica, que tinham ido com Pedro, ficaram admirados de que o dom do Espírito Santo também fosse derramado sobre os pagãos. De fato, eles os ouviam falar em línguas estranhas e louvar a grandeza de Deus...” (At 10, 44-46).

Episódio que confirma que “Deus não faz acepção de pessoas” (At 10,34), daí podermos estender à mediunidade como uma faculdade exclusiva a um determinado grupo religioso, mas existindo em todos segmentos em suas expressões de religiosidade.

A mediunidade como era “transmitida”

A bem da verdade não há como ninguém transmitir a mediunidade para outra pessoa, entretanto, pelos relatos bíblicos, a imposição das mãos fazia com que houvesse sua eclosão, óbvio que naqueles que a possuíam em estado latente. Vejamos algumas situações em que isso ocorreu.

Em Atos 8, 17-18:

“Então Pedro e João impuseram as mãos sobre os samaritanos, e eles receberam o Espírito Santo. Simão viu que o Espírito Santo era comunicado através da imposição das mãos. Dêem para mim também esse poder, a fim de que receba o Espírito todo aquele sobre o qual eu impuser as mãos”.

Simão era um mago que, com suas artes mágicas, deixava o povo da região de Samaria maravilhado. Mas, ao ver o “poder” de Pedro e João, ficou impressionado com o que fizeram, daí lhes oferece dinheiro a fim de que dessem a ele esse poder, para que sobre todos os que ele impusesse as mãos, também recebessem o Espírito Santo.

Em Atos 19, 1-7:

“Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as regiões mais altas e chegou a Éfeso. Encontrou aí alguns discípulos, e perguntou-lhes: ‘Quando vocês abraçaram a fé receberam o Espírito Santo?’ Eles responderam: ‘Nós nem sequer ouvimos falar que existe um Espírito Santo’. Paulo perguntou: ‘Que batismo vocês receberam?’ Eles responderam: ‘O batismo de João’. Então Paulo explicou: ‘João batizava como sinal de arrependimento e pedia que o povo acreditasse naquele que devia vir depois dele, isto é, em Jesus’. Ao ouvir isso, eles se fizeram batizar em nome do Senhor Jesus. Logo que Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e começaram a falar em línguas e a profetizar. Eram, ao todo, doze homens”.

Será que podemos entender que o batismo de Jesus é “receber o Espírito Santo”, conseguido pela imposição das mãos? A narrativa nos leva a aceitar essa hipótese, apenas mantemos a ressalva feita anteriormente quanto à expressão “o Espírito Santo”.

A mediunidade como os dons do Espírito

Na estrada de Damasco, Paulo, que até então perseguia os cristãos, numa ocorrência transcendente, se encontra com Jesus, passando, a partir daí, a segui-lo. Durante o seu apostolado se comunicava diretamente com o Espírito de Jesus, demonstrando sua incontestável mediunidade.

Aliás, o apóstolo Paulo foi quem mais entendeu do fenômeno mediúnico, tanto que existem recomendações preciosas de sua parte aos agrupamentos cristãos de então. Ele o chamava de “dons do Espírito”. “Sobre os dons do Espírito, irmãos, não quero que vocês fiquem na ignorância” (1Cor 12,1), mostrando-se interessado em que todos pudessem conhecer tais fenômenos.

E esclarece o apóstolo dos gentios:

“Existem dons diferentes, mas o Espírito é o mesmo; diferentes serviços, mas o Senhor é o mesmo; diferentes modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos. A um, o Espírito dá a palavra de sabedoria; a outro, a palavra de ciência segundo o mesmo Espírito; a outro, o mesmo Espírito dá a fé; a outro ainda, o único e mesmo Espírito concede o dom das curas; a outro, o poder de fazer milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, o dom de falar em línguas; a outro ainda, o dom de as interpretar. Mas é o único e mesmo Espírito quem realiza tudo isso, distribuindo os seus dons a cada um, conforme ele quer”. (1 Cor 12,4-11).

Novamente, mudando-se “o Espírito” para “um Espírito”, estaremos diante da faculdade mediúnica, basta “ter olhos de ver”.

Ao que parece, naquela época, os médiuns se preocupavam mais com a xenoglossia Paulo para desfazer esse engano novamente faz outras recomendações aos coríntios (1Cor 14,1-25). Disse ele:

“...aspirem aos dons do Espírito, principalmente à profecia. Pois aquele que fala em línguas não fala aos homens, mas a Deus. Ninguém o entende, pois ele, em espírito, diz coisas incompreensíveis. Mas aquele que profetiza fala aos homens: edifica, exorta, consola. Aquele que fala em línguas edifica a si mesmo, ao passo que aquele que profetiza edifica a assembléia. Eu desejo que vocês todos falem em línguas, mas prefiro que profetizem. Aquele que profetiza é maior do que aquele que fala em línguas, a menos que este mesmo as interprete, para que a assembléia seja edificada...”.

Conclusão

Como apregoa a Doutrina Espírita o fenômeno mediúnico nada mais é que uma ocorrência de ordem natural. Podemos identificá-lo desde os mais remotos tempos da humanidade, e não poderia ser diferente, pois, em se tratando de uma manifestação de uma faculdade humana, deverá ser mesmo tão velha quanto a permanência do homem aqui na Terra.

Mas, infelizmente, a intolerância religiosa, a ignorância e, por vezes, a má-vontade, não permitiu que fosse divulgada da forma correta, ficando mais por conta de uma ocorrência sobrenatural, que só acontecia a uns poucos privilegiados. Coube ao Espiritismo a desmistificação desse fenômeno, bem como a sua explicação racional. Kardec nos deixou um legado importantíssimo para todos que possam se interessar pelo assunto, quando lança O Livro dos Médiuns, que recomendamos aos que buscam o conhecimento dessa fenomenologia, ainda muito incompreendida em nossos dias.

 

Nov/2004.

Referência bibliográfica.

PASTORINO, Carlos Torres, Sabedoria do Evangelho, volume 1, Revista Mensal Sabedoria, Rio, 1964.

Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, Paulus, São Pau

 

 

                Correspondente: Marcos Paterra


A necessidade de Transformação

A reencarnação na Terra, constitui excelente oportunidade para a criatura, alternando situações em que pode desfrutar de momentos de alegrias e outros de aflições e dificuldades, preparar dias melhores para um porvir mais agradável de paz e harmonia, alicerçado no trabalho digno e competente.

Em o Livro dos Espíritos, os Imortais da Vida Maior nos esclareceram através das respostas concedidas ao codificador do espiritismo Allan Kardec, sobre o assunto contido nas questões que seguem:

A reencarnação

166. Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?
“Sofrendo a prova de uma nova existência.”
a) - Como realiza essa nova existência? Será pela sua transformação como Espírito?

“Depurando-se, a alma indubitavelmente experimenta uma transformação, mas para isso necessária lhe é a prova da vida corporal.”
b) - A alma passa então por muitas existências corporais?

“Sim, todos contamos muitas existências. Os que dizem o contrário pretendem manter-vos na ignorância em que eles próprios se encontram. Esse o desejo deles.”
c) - Parece resultar desse princípio que a alma, depois de haver deixado um corpo, toma outro, ou, então, que reencarna em novo corpo. E assim que se deve entender?

“Evidentemente.”
167. Qual o fim objetivado com a reencarnação?

“Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a justiça?” ¹

Nessa luta diária pelo crescimento moral-espiritual, o indivíduo terá oportunidade de enfrentar momentos em que conquista e perde nas relações com seu semelhante; em constante convivência com a maldade e a violência própria de um planeta ao nível moral do nosso, onde grassam descontroladas as más ações por toda parte, gerando angústias, pessimismo, medo etc., em virtude do pouco ou nenhum investimento nos sagrados valores do Espírito Imortal, que são simplesmente desprezados ou até desconhecidos pela nossa sociedade, muito mais acostumada a valorizar os bens materiais, representados pela riqueza, pelo poder ou pelos títulos que a pessoa possa ostentar.

Enfrentando dificuldades na estrada em que se locomove, e não encontrando explicações para tudo o que lhe acontece de negativo, infringindo-lhe dor e sofrimento, o indivíduo desespera-se e entrega-se à revolta, ao ódio, ao desespero, deixando de colher o fruto das experiências salutares que muito contribuiriam para lhe facilitar a obtenção de melhores resultados em incontáveis batalhas que ainda terá de travar no futuro, para seu próprio progresso e crescimento como ser fadado à felicidade e à pureza espiritual.

Perde, dessa forma, inúmeras e valorosas oportunidades de realizar as ações nobres em prol do seu progresso e crescimento intelecto-moral, que muito ajudaria no progresso de toda a coletividade, fazendo a sua pequena mais indispensável parcela na busca de um mundo melhor, mais humanitário e menos egoístico.

Sabemos que não obstante o progresso científico, a humanidade ainda se acha envolvida em miséria, desespero, inquietação, desrespeito, desigualdade social etc. que se tornam causas de sérias enfermidades em grande quantidade de criaturas tanto do corpo físico, como também da alma. Isso acontece, em virtude do desenvolvimento moral do homem não acompanhar o ritmo do seu desenvolvimento intelectual, iludindo o indivíduo, que se deixa levar pelos enganos e facilidades proporcionadas pelos bens fugidios e passageiros do mundo material, fazendo-o esquecer que todos somos irmãos a caminho da angelitude.

Dirigido, pelas diretrizes impostas pelo regime do egoísmo exacerbado, o homem faz uso dos meios mais escusos e condenáveis para oprimir e tirar proveito do seu semelhante, porque, ainda lhe fazem falta os valores espirituais, que ele não se preocupa em desenvolver, tratando simplesmente de acumular “tesouros” materiais esquecido que terá de deixá-los por aqui, quando for chamado de retorno à verdadeira pátria, que é a espiritual de onde procede e para onde terá que retornar.

O Homem, precisa compreender que só os Tesouros do Espírito Imortal, representados pelos nobres sentimentos do amor, da caridade, do respeito a si e ao seu semelhante, serão capazes de elevar o ser humano aos cimos da Espiritualidade Superior, preenchendo em seu coração o espaço ora ocupado pelos sentimentos da animalidade que o escravizam e o perturbam a milhares de séculos.

Continua, ainda, bem distante de entender que, quando o amor habita o coração de alguém, transforma-o em nova criatura, envolvendo-o em doce alegria e indescritível paz interior, impregnando-o de bênçãos proporcionadas pelas virtudes celestiais, alimentando-o com o gosto do prazer em servir na causa do bem, por essa razão, daí por diante não deixará mais de seguir os ensinamentos do seu Mestre Jesus de Nazaré, que já se estabeleceu e tem residência fixa em seu coração de discípulo operoso, confiante, feliz e pacificado.

Bibliografia:
1) Kaedec, Allan – O Livro dos Espíritos, FEB, 77ª edição.

Francisco Rebouças.

 


ESPÍRITAS E ESPIRÓLAS
Por Joana Abranches


Já faz algum tempo, uma antiga vizinha sem papas na língua, me vendo sempre às voltas com atividades na Casa Espírita, um dia não resistiu  e em meio a uma conversa acabou 'soltando' que eu era 'muito carola!'
Levando a coisa na farra, tentei argumentar: - 'Mas eu sou espírita e não católica...' Ela aí não titubeou: - 'Então é espiróla.'

O pitoresco virou piada, mas trouxe à tona uma séria questão. Até onde nós, espíritas, estaremos descambando para o igrejismo e a superficialidade?

Temos visto Grupos tão obsecados com assiduidade e pontualidade, tão cheios de regras, critérios, exigências e uma intolerância tal, que mais parecem a velha e inquisitorial igreja romana da idade média que oficinas fraternas de estudo e vivência do Evangelho de Jesus.

Onde foi que perdemos o rumo da fraternidade? Que paramentos invisíveis ainda nos fazem oscilar entre a pseudo-superioridade dos sacerdotes e a submissão dos beatos?

Em um dos costumeiros papos fraternos com meu saudoso amigo Palhano Jr., uma vez questionei: - P
or que será que os espíritas se degladiam tanto por cargos, até mesmo naqueles grupos minúsculos que ficam lá onde Judas perdeu as botas?... Bem-humorado, como sempre, ele me respondeu com uma risadinha marota: - 'A briga é pelo poder sobre as almas, minha cara. Muitos espíritas ainda se alimentam da autoridade
clerical que tinham, quando nas fileiras do catolicismo. O poder vicia.'


Para esse autoritarismo rançoso, o que não faltam são defesas
equivocadas. Afinal, Emmanuel recomendou: 'Disciplina, disciplina, disciplina.' Foi o bastante para que instruções superiores, aplicadas a um contexto específico, se tornassem o jargão justificador da inflexibilidade fria que campeia em nosso meio e que vem transformando nossas instituições - destinadas a ser escolas do amor - em verdadeiros quartéis de controle e enquadramento. E quantos exageros em nome da disciplina...

Certa vez, uma palestrante habitualmente pontual, chegou à nossa reunião pública em cima da hora. Estava mortificada. Por mais que tentássemos deixá-la à vontade, repetia sem parar que 'a espiritualidade tem horário a cumprir.' Naquela noite o seu
desempenho, obviamente, não foi dos melhores. Porém, é perfeitamente compreensível a reação da companheira. Ocorre que se os dirigentes espirituais levam em conta que estamos na matéria, sujeitos a limitações e imprevistos comuns à vida terrena, os dirigentes encarnados, em grande maioria, não o fazem. Numa afirmação de poder, até mesmo inconsciente, sobretudo com relação aos médiuns, insistem em generalizar, e saem por aí a prodigalizar suspensões ou prescrições de inumeráveis passes e palestras doutrinárias, até que o faltoso ou
atrasadinho, supostamente reequilibrado, mas no fundo, punido, possa então reconquistar a permissão de voltar às atividades... Hajapenitência!

Façamos o dever de casa. No Livro dos Médiuns, cap.XXIX, top. 333, ao tratar das reuniões espíritas, o codificador é muito claro: 'Se bem que os espírito prefiram a regularidade, os verdadeiramente superiores não são meticulosos a este ponto. A exigência de uma pontualidade rigorosa é um sinal de inferioridade, como tudo o que é pueril.'

É preocupante, também, a falta de naturalidade com que as pessoas tem se comportado no ambiente espírita. Observa-se uma despersonalização e um formalismo alarmantes, em lugar da camaradagem espontânea que deveria existir entre irmãos. Não raro, rir e brincar inter-reuniões parece ser, implícita ou explicitamente, proibido: - 'Quebra a vibração.' Cada vez mais, os cumprimentos espontâneos e afetivos tem dado lugar a frases feitas, piegas e que soam muito falso. Na fala, como na escrita, temos substituído expressões carinhosas e simples do cotidiano por uma linguagem impessoal, 'santificada' e obsoleta, incompatível com os novos tempos. Ah, as palavras ensaiadas...

 

Os gestos contidos... Ladainhas do passado, ainda tão presentes, a nos distrair de nós mesmos...

Nas Casas Espíritas, dirigentes preocupados apenas em dirigir e coordenadores tão somente concentrados em coordenar, esquecem o essencial: AMAR. Casas se agigantam e pessoas viram número, em ambientes tão impecáveis quanto frios. Alguém notou a tristeza daquele
companheiro ou a ausência daquele outro? Ocupados em crescer, no quantitativo, ignoramos Kardec a recomendar grupos pequenos e o alerta do próprio Chico, que já dizia: - 'Em Casa que muito cresce o amor desaparece.'


Perdidos numa burocracia sem sentido, senhas e formulários vão aos poucos tomando o lugar do coração e transformando nossos atendimentos fraternos em patética mistura de clínica psicológica e confessionário, onde o indivíduo precisa seguir à risca as etapas cronometradas do tratamento para obter 'alta' ou 'absolvição.' Assim, desorientados orientadores, em tom grave e superior, seguem dando receitas iguais para problemas diferentes. Alguém sofreu uma perda e busca notícias do ente querido desencarnado? Que vá 'baixar' noutro Centro, porque nos mais ortodoxos ouvirá rispidamente que o telefone só toca 'de lá pra cá' e fim. A alegação é que a mediunidade não está a serviço de problemas 'domésticos' e sim de coisas mais sérias. Valei-me Chico Xavier! Quanta saudade da mediunidade a serviço do amor, do consolo aos desesperados de toda a sorte...

Nas reuniões públicas, companheiros carrancudos às portas das cabines de passe chamam com voz cavernosa: - Os próximos! E aquele que está indo pela primeira vez fica a imaginar que ritual terrível deve acontecer naquela salinha escura onde todos entram cabisbaixos, como bois para o matadouro. Diretores severos, após comoventes preces, olham por baixo dos óculos com olhar de censura para a mãe de alguma criança que chora, ou pedem que se retire. Médiuns coreografados sincronizam movimentos como se fossem clones uns dos outros. Qualquer semelhança com farisaísmo, lamentavelmente, não será mera coincidência.

Na Evangelização, criança que chega atrasada volta; Se falta muito é cortada; Mesmo aquela que mais precisa da orientação e do pão. A mãe, senhora simplória assistida pelo Grupo e que muitas vezes sequer tem o dinheiro da passagem, ouve um duro sermão de alguém que ignora a sua difícil realidade. Normas são normas. Quem negligenciar a freqüência dos filhos não tem direito a cesta básica. O tom é incisivo. Muitos dirão que é necessário usar estratégias para evangelizar 'os nossos irmãos que mais precisam'. Talvez tenham razão... Parece que só os espíritas já não precisam mais do Evangelho...

Navegantes desatentos às ciladas da superfície, não percebemos o risco de naufrágio iminente. Parecemos surdos à conclamação do Espírito de Verdade: -'Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento' - E indiferentes à terna advertência de José, Espírito Protetor, a nos lembrar que 'a indulgência atrai, acalma, reergue, ao passo que o rigor desencoraja, afasta e irrita.'Até quando continuaremos atraídos pelo canto da sereia?

Há que se ter humildade para repensar nossas práticas doutrinárias, reconhecer equívocos, resgatar a doutrina simples e libertária de Jesus. Há que se ter coragem para mudar, para substituir a frieza dogmática que tem nos engessado pela convivência fraterna, calorosa e solidária que nos identificará, de fato, como cristãos redivivos.

Espíritas ou 'espirólas'.. . O que temos sido? O que realmente
queremos ser? Cada um se perceba e se responda.

Ainda há tempo.

*Joana Abranches é Assistente Social, escritora e Presidente da
Sociedade Espírita Amor Fraterno Vitória/ES –
Joanaabranches@gmail.com
amorefraterno@gmail.com


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