Orson Peter Carrara
Campinaespirita – A princípio, gostaríamos que você nos falasse a respeito de sua relação com o Espiritismo. Como foi a sua formação doutirnária?
Orson – A doutrina espírita é um tesouro de vastas proporções. Ela é uma fonte inesgotável de conhecimento e pesquisa e tem um papel fundamental na formação de um ser humano mais solidário, consciente da sua própria realidade de espírito imortal. Eu nasci numa família espírita, meu avô já era espírita, e desde cedo estou habituado ao contato com as atividades espíritas, motivado pelo exemplo dos pais e também de um tio, Pedro Carrara, que teve uma influência muito grande na minha formação pessoal e doutrinária.
Campinaespírita – E quanto ao trabalho de articulador do Movimento Espírita Brasileiro. O que vem a ser e de que maneira essa atividade é desenvolvida?
Orson – O papel de articulador do movimento espírita surgiu em função do relacionamento muito intenso que a gente tem com todo o Brasil e naturalmente começou com minha cidade natal, movido pelo meu entusiasmo na divulgação espírita e desde pequeno eu comecei a articular contatos e a montar jornadas de palestrantes na minha região. E isso, como depois eu comecei a escrever na imprensa se tornou estadual e agora posso dizer nacional, pelo intenso relacionamento com autores, escritores e amigos de todo o Brasil. Isso me dá muita alegria porque me permitiu , ao longo dos anos, ser instrumento, ponte de ligação entre pessoas de diferentes lugares.
Campinaespirita – Dentro de sua experiência como articulador, é possível fazer uma leitura avaliativa sobre em quais regiões brasileiras o trabalho de divulgação do Espiritismo tem se dado de forma mais expansiva e dinâmica?
Orson – Eu penso que o Movimento Espírita está avançando de maneira incomparável por todo o país, com raízes que se estendem para outros países também. Mas o que acontece é que algumas regiões se destacam mais e outras menos, em função da determinação dos companheiros ali encarnados . Agora é fato que existem regiões mais difíceis, mais resistentes, até pela própria cultura, experiência local e existem regiões mais avançadas, mais modernas, regiões onde mais do que a cultura, a boa vontade se apresenta. E isso é normal porque nós somos seres humanos e pela condição humana nós temos tendências egoísticas, tendências a determinadas resistências. E o egoísmo, a resistência à ideias, assim como o apego a cargos tem causado prejuízos em algumas regiões, mas eu acho que isso é insignificante diante da expansão da ideia espírita por todo lugar, fruto, considero, do esforço dos espíritos e de muitos encarnados dotados de um ingrediente muito especial, a boa vontade e, principalmente, o aprimoramento de si mesmo, para que a mensagem espírita não fique retida. Então eu vejo como muita alegria esse intercâmbio da s pessoas para a expansão da ideia espírita.
Campinaespirita – Na sua avaliação, quais fatores ou medidas práticas são imprescindíveis para um bom trabalho de divulgação do Espiritismo?
Orson – Penso que não reter a informação da divulgação é o mais indicado. Isso porque o grande problema do movimento espírita que vejo hoje é que quando uma pessoa recebe a divulgação de um evento e ela não tem interesse em ir, ela não divulga. E se eu não posso, ou não tenho interesse de ir, eu tenho o dever de repassar a informação, até mesmo porque outras pessoas têm o interesse de ir . E quando isso não acontece, se está retendo a informação e prejudicando a expansão da ideia espírita.
Campinaespírita – Ainda sobre o trabalho de expansão da divulgação da doutrina espírita no Brasil, temos percebido que dentre os obstáculos ainda presentes no Movimento Espírita Brasileiro está uma certa resistência à adesão de estratégias de marketing modernas e até mesmo à ocupação de espaços na mídia tradicional, por parte de alguns líderes espiritistas que se demonstram avessos a esse tipo de ação. O que você pensa a respeito?
Orson - De fato, isso acontece, seja por resistência e até mesmo por medo e excesso de zelo. E a gente vê que isso não é preciso. Temos ai uma série de filmes a exemplo de “Nosso Lar’, “As mães de Chico Xavier”, de sucesso absoluto. Isso porque a população, mais que isso, a mente humana está em busca de respostas e nós temos um valioso tesouro a oferecer. Não há porque reter uma informação que nós recebemos gratuitamente dos espíritos. E é bom dizer que não somos donos da informação. Quanto ao certo puritanismo mencionado , não vejo razão em abrirmos mão das estratégias de marketing . Penso que temos de ser prudentes na divulgação, respeitar a doutrina, a sua fidelidade, integridade, evitando usar de mecanismos que não condizem com a coerência doutrinária e respeitar o público. Mas acredito que estamos avançando bastante nesse sentido. Eu aproveito para repassar aos amigos internautas meu e-mail (orsonpeter92@gmail.com), por meio do qual os interessados podem se cadastrar para receber notícias do movimento espírita. E nós queremos alcançar o maior número possível de e-mails. Trata-se de um trabalho realizado por um grupo que tem todo o interesse de repassar a informação para o maior número de pessoas possível.
Campinaespirita – Você concorda que, mais que a resistência, um dos problemas de entrave ainda existente no trabalho de divulgação do Espiritismo seja a falta de profissionalização no tocante ao processo de comunicação?
Orson – Veja, não se faz nada sem dinheiro. Eu não vejo prejuízo nem problema algum em se capacitar pessoas e remunerá-las por um trabalho dedicando a isso. Não se deve viver do Espiritismo, mas sim para o Espiritismo. Essa é a questão. Não podemos esquecer o trabalho de divulgação requer custos. Veja o exemplo dos livros que são um produto industrial que tem custo para ser fabricado. Qual é o mal de se usar os outros recursos também?.
Campinaespirita.net – Uma outra questão um tanto polêmica que também vem se verificando envolvendo a divulgação do Espiritismo e que se arrasta há bastante tempo diz respeito ao apelo quase que generalizante ao caráter religioso do Espiritismo em detrimento dos seus aspectos científico e filosóficos, algo que costuma dividir opiniões dentro do Movimento Espírita Brasileiro. O que você pensa a respeito?
Orson - Na próxima edição, não sei se agosto ou setembro, da Revista Internacional de Espiritismo, nós vamos publicar um artigo que se intitula: “Em lembrança do aspecto religioso do Espiritismo”. De fato ainda há uma confusão generalizada com essa questão. E alguns defendem que o Espiritismo não é religião. E o espiritismo é religião sim. O que acontece é que a palavra religião sofreu um desgaste por conta de fanatismo, de misticismo envolvendo o termo e sua prática, mas apesar dessa deturpação, o sentido da palavra não sofreu prejuízo na sua essência. E religião continua apontando para o mecanismo de ligação e religação da criatura com Deus. Então isso tem trazido alguns problemas e é um equívoco essa postura, porque demonstra um desconhecimento da própria doutrina. Uma doutrina que está embasada em bases científica, filosófica e religiosa. Agora, afastar a figura de Kardec do Espiritismo é desfigurar a própria doutrina. Não há como entender essa postura. E temos que ressaltar que o Evangelho de Jesus é a base do Espiritismo também. É a essência do Espiritismo. Então eu acho que enveredar por esse caminho é um equívoco.
Campinaespirita.net – Mudando um pouco de pauta e enveredando no campo da atividade bibliográfica, se percebe uma certa mudança temática na sua produção literária, antes marcada por uma abordagem doutrinária espírita e agora, de certa forma, mais voltada à temas de cunho holítico/emocional, como demonstram por exemplos os livros: “Tensão emocional” e “Por que adoecemos?”. Quais motivos o levaram a essa diversidade temática?
Orson – Eu sempre gostei de escrever sobre Kardec e a literatura específica doutrinária do Espiritismo. Mas em minhas palestras, muitas pessoas me procuravam e depois me escreviam por e-mail, relatando seus dramas, suas emoções desajustadas e a necessidade de alguém que lhes ouvissem e oferecessem conforto. Em função disso, eu comecei a abordar também temas psicológicos como é o caso dos livros mencionados nessa questão, ambos ligados entre si. Então, pensamos que talvez uma abordagem específica de fundo emocional consiga transmitir os conteúdos doutrinários da codificação utilizando-se desse mecanismo que é a emoção, para também falar de esperança, motivação, falar de conhecimento tão bem presentes na codificação kardequiana.
Campinaespirita – Agradecemos à atenção e deixamos este espaço final em aberto para que você transmita uma mensagem aos nossos amigos leitores e, em especial, aqueles que, por ventura, estejam passando por problemas de desajuste psíquico-emocional.
Orson – Eu diria a todos que nos lêem nesse instante que, se acaso você estiver triste, levante a cabeça meu amigo, minha amiga. Não se entregue ao desânimo, ao pessimismo, à tristeza. Não se esqueça de que a vida é muito valiosa para ser desprezada. Somos todos criaturas muito amadas. Renove seu ânimo e prossiga trabalhando. Confie na vida porque ela conspira a nosso favor. E se acaso você for alguém que já está feliz, entusiasmado com a vida, prossiga fazendo a mesma coisa, porque precisamos de criaturas que agem de forma positiva para mudar o nosso mundo para melhor.
Para mais informações sobre o entrevistado, acessar o blog: www.orsonpetercarrara.blogspot.com
Fonte:canpinaespirita.net